quarta-feira, 19 de abril de 2017

EU NÃO TE CONHECI ... MAS CONHEÇO A TUA HISTÓRIA 💗 por Victória Sales

Meu nome é Victoria Sales, tenho 16 anos, ansiedade, um café e uma história tirada do coração pra contar. Na verdade, eu nem sei por onde começar, por início vou falar do que lembro de quando a Carol adoeceu. Minha mãe (Eli Sales) é prima da mãe da Carol (Ana Magalhães), e nossa família é bem unida (talvez não seja a família mais próxima do mundo, mas é muito unida sim). Eu lembro que uma vez minha mãe viajou á trabalho e eu fiquei na casa da minha tia Saronita, logo cedinho eu desci as escadas para tomar café da manhã e ouvi ela no telefone perguntando sobre a Carol, como estava o quadro dela. Minha tia tava tão triste, ela falou "Meu Deus" umas três vezes  na ligação. Até então eu não sabia muito sobre a Carol, pra ser exata eu só sabia que era da família e, lá nos "calcanhar", e que a gente trocou uns likes no Facebook  e umas poucas conversas no bate papo do Facebook. Após a ligação a tia Saronita me explicou tudo, e eu fiquei tão triste, uma onda de perguntas me envolveu, e tudo isso porque na época eu também estava lidando com o luto, mas com o luto da minha avó paterna, que viveu, que teve filhos, que teve netos e sonhos realizados... E pensei em como as pessoas lidariam com o luto de uma menina tão jovem, com tantos sonhos, genteeeee, helloooooo, estão me acompanhando ?  é inacreditável, foi aterrorizante pra mim que praticamente não a conhecia! Em 2015 fui adicionada em um grupo de whatsapp chamado de "primos conectados" e lá eu conheci tantas pessoas, pessoas que mudaram totalmente a minha vida, de verdade e que hoje são mais que "a família do irmão do meu avô", que hoje é a outra parte da minha família. Conheci a Raynara que é um amor de pessoa, a mais meiga, tão delicada... Conheci a Renaria, eita, aí o temperamento é difícil, mas que é uma pessoa tão boa, tão dedicada e tão compreensiva mas só quando ela quer ... Conheci as tias Cleide, Quesia, Esenete... Conheci uma infinidade de pessoa que não vou citar aqui pra não perder o foco. Bem, nas férias de dezembro do ano de 2015 eu fui passear em fortaleza pois eram as minhas férias, e fui conhecer pessoalmente a galera do grupo dos primos conectados. Por Deus (não acredito muito no destino) fiquei hospedada na casa da Ana Magalhães (tia Ana) que é como se fosse minha segunda mãe hoje em dia. Quando cheguei em fortaleza fui muito bem recebida, muito mesmo, lembro que cheguei na sexta, e na noite da sexta teve o culto da família na casa grande e estavam todos lá... bem, quase todos... Nessa sexta feira eu conheci três pessoas que entraram na minha vida e no meu coração de maneira irreversível, que não vai sair nunca mais, nem que me magoe (como já magoou em pequenas situações). Naquela sexta, eu conheci também o Tio deda e o Lucas (pai e irmão da Carol). Nos parecíamos muito, haviam muitas comparações físicas (cabelo e contorno do sorriso) e as comparações de temperamento, caráter, manias duraram muito tempo. Esse tempo foi meio difícil, algumas pessoas me olhavam com tanta intensidade no olhar, me olhavam e saiam rápido, algumas pediam desculpa pelas comparações, mas eu NUNCA me magoei com aquilo. Sim, quando me comparavam com ela eu ficava estranha, mas no tempo eu não entendia, eu pensei que a minha presença estava fazendo aquelas pessoas sofrerem, e hoje eu entendo que não era isso, que era só a coincidência. Eu nunca me magoaria, porque me magoaria ? Várias pessoas tem coisas em comum com várias pessoas, e a Carol era uma garota tão linda, tão amada e pelo que me dizem ela era muito autêntica, muito cheia de sonhos, muito amada, então compartilhávamos sim de algo em comum. Por diversas vezes tive o colo da Ana Magalhães, e por diversas vezes fiz o máximo pra ajudar ela. A verdade é que fui muito bem acolhida por todos, mas faltava algo não só pra mim. Para mim faltou eu conhecer pessoalmente a Carol, eu ficava pensando "a gente ia se dar tão bem, a gente iria assistir filme de terror enroladas no edredom, fazer nossas mechas, quebrar um copo sem querer e botar culpa no Lucas ( porque cá entre nós, irmão mais novo leva menos carão 藍). Por diversas vezes eu quis tanto, tanto, tanto que a Carol tivesse aqui pra tia Ana ser feliz de verdade, porque eu sei que falta algo, e eu sei disso porque  a olho com a visão do coração, alguns só são felizes para se distraírem da dor.  Eu sei que as vezes ela pensa "eu deveria ser forte, deveria ter aprendido a lidar com isso" mas ela perdeu uma filha, e posso imaginar o que é isso pois eu perdi um pai. Eu enterrei meu pai, lei natural das coisas. E ela perdeu uma filha, sabe ? É ainda mais difícil. É uma dor inenarrável, ela perdeu uma filha saudável, cheia de sonhos, uma menina-mulher, que tomava sempre sorvetes diferentes para não repetir, que quando se apaixonava por aquele livro era capaz de ler até em um final de semana, uma filha amiga, que confidenciava tudo. Perder uma filha é mais que ver aquela a quem ama partir sem retorno,é ter diante de si uma vida pra pensar em como vai viver. É não ter o carinho e a compreensão que só aquela pessoa sabia daquele jeitinho dela. Perder uma filha é ver as mães indo buscar suas meninas na escola, ou levando para o shopping e se perguntar "porque minha menina se foi?". Para a tia Ana, perder a Carol foi e é tudo isso, é sentir dentro de si uma vida cheia de saudade e perguntas e ser obrigada a erguer a cabeça e continuar mesmo que a vontade seja simplesmente deitar e acordar talvez em uma outra semana em que talvez tudo pareça mais leve. e para as pessoas que perguntam se alguém como nós já superamos a perda, entenda que isso é algo insuperável. As vezes a gente tá tão triste que não tem força nem pra chorar e as pessoas tem que entender! Só precisamos de alguém que nos ouça, que não nos julgue. Que não nos subestime, que não nos análise, apenas nos ouça.  A Carol foi, é, e sempre será muito amada por todos, pela família, pelo namoradinho, pelos amigos, pelos colegas, pelos professores, pelos conhecidos, e pelos que não conhecem ela mas conhece a sua história e a história​ de sua família que a ama. Hoje Carol Magalhães é um anjo que continua defendendo sua família lá de onde ela está, no céu enquanto eu tento ajudar daqui.



Carol e Victória 


Lucas e Carol em dezembro de 2013

Victória e Lucas em dezembro de 2015

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