Querida Carol,
Te escrevo com um sorriso bobo no
rosto e algumas lágrimas que insistem em cair entre um piscar de olhos e
outro.
Eu me sinto mal por não ter tido a
honra de conhecer alguém tão sorridente, linda e bondosa como você. De verdade,
eu tô mal. Sabe, eu fiquei tão feliz quando você me procurou no WhatsApp.
Quando perguntou "É você a dona do Nuveline? Sou fãnzona!" isso
me fez ficar sem graça, mas eu amei o carinho. Eu estava planejando fazer
um encontrinho pra conhecer minhas leitoras que me acompanham
diariamente aqui no blog e pelas redes sociais, já tava tudo planejado na minha
cabeça, e você estava inclusa nos planos (sempre salvo o número das pessoas que
falam comigo no WhatsApp, e com você não foi diferente), eu iria lhe ligar pra
te convidar. Eu juro como eu ia.
Você estudou por uns anos no colégio
onde eu praticamente cresci. Foi no Colégio Nossa Senhora do Carmo onde
eu passei cinco anos fazendo amizades duradouras. Amadurecendo, Aprendendo, Errando, Rindo, Trocando cartinhas carinhosas com as amigas. Brincando com os
melhores professores do mundo. Reclamando da severidade da tia Gina. Me
divertindo em cada excursão. Foi lá onde eu paguei boa parte dos altos micos
super hiper mega vergonhosos pelos quais já passei. Onde dei meu primeiro
beijo. Eu estava sempre reclamando dos preços da cantina e do quanto já estava
cansada daquele colégio "pequeno"... A gente reclama de mais
nessa vida, né?
Ah, minha querida Carol... Sabe
por que eu to aliviada em saber que você estudou na minha antiga escola? Porque
lá é simplesmente o melhor lugar do mundo para se encontrar uma família de
amigos. Porque lá– só lá –
você descobre o que é amadurecer por conta própria no tempo certo. Lá a gente
aprende não só a fórmula de bhaskara, nós aprendemos sobre a vida
e o quanto ela é incrível. Com o tempo nós erramos, e logo em seguida alguém
surge com uma mão estendida pra nos dar apoio, para nos ensinar a começar
a não errar mais. Cada gargalhada dada naqueles corredores e mesas é sincero,
eu tenho certeza. Você deve ter passado pelas cartinhas também, na sua idade eu
adoraaaava escondê-las nos cadernos das minhas amigas só pra ver a carinha de
surpresa de cada uma. E os professores? São legais, né? Ah, eu adorava vários!
Com o tempo descobri que a tia Gina nunca foi tão severa quanto parecia ser, eu
a admirava, sempre quis ser uma mulher como ela, sabe? Ela passa seriedade, mas
sabe aconchegar cada aluno problemático com uma boa conversa descontraída (às
vezes, quando a aula tava muito chata ou quando eu estava sem ânimo pra fazer
os deveres de classe, eu fugia para a sala dela com a desculpa de estar com a
pressão baixa, sempre fui muito branca, então dava pra enganar. Eu ficava cerca
de uma hora botando sal de baixo da língua enquanto a via trabalhar em sua
mesa; que por sinal sempre estava cheia de papeladas, provas, td's, roteiros de
provas e mapas de sala). E os passeios? Você gostava, não gostava? Eu sei que
gostava! Mas também, era impossível não rir naqueles ônibus com aqueles loucos.
Depois que saí de lá, me dei conta de que os preços da cantina não eram tão
ruins assim e que o colégio nunca foi pequeno. Na verdade ele era imenso. Eu é que
nunca soube enxergar direito essa imensidão. Agora, sempre que vou lá
me sinto infinito. Bate aquela nostalgia ao passar pelo pátio, pelas
minhas antigas salas, pelas mesas e cantina. No cnsc é todo
mundo muito unido. Pode haver algumas briguinhas, mas todo mundo é uma família.
Eu sofri quando saí de lá e me vi tão "só". Você não perdeu ninguém,
eles é que te ganharam e você sempre será deles assim como eles serão de você.
Você sempre será amada, lembrada e cuidada. Confie em mim.
Menina, você esteve ao lado de
pessoas maravilhosas, você esteve em boas mãos e principalmente: em maravilhosos corações.
Sempre permanecerá viva dentro de cada um que teve a oportunidade de conviver
com você, princesa. Seja lá onde você estiver agora, olhe para eles, agradeça-os
e sorria. Sorria muito. Sorria com aquele sorriso lindo pelo qual eu só pude
conhecer por foto. Abrace seus amigos quando estiverem precisando daquele seu
carinho que eu recebi via mensagem de texto. Cuide da sua família enquanto
estás aí em cima, tá? Sua mãe cuidou muito de você enquanto esteve na UTI, ela
se desgastou mas se conformou; ela foi forte por você. Percebi no seu velório
que seu pai a amava muito, certamente ele sentia bastante orgulho de ti. E seu
irmãozinho... que fofo! Sabia que eu também tenho um irmão chamado Lucas? Olha
só, coincidência até nisso!
Eu não a conheci pessoalmente. Quando soube
da péssima notícia, quando me informei de tudo, percebi que era meu dever ir me
despedir de você, mesmo sem ter te conhecido direito. Esse era mínimo que
eu poderia fazer por alguém que me procurou para me parabenizar pela minha
paixão e para mandar carinho. Eu estava fazendo planos para ir te ver no
hospital, mas não deu tempo. Me desculpe.
Eu não consigo entender do porquê de
alguém tão jovem, com apenas quatorze anos ir assim, do nada. Às vezes
eu chego à conclusão de que a vida faz o seu trabalho honesto de forma
injusta. Mas por mim tudo bem, desde que estejam todos bem. E todos
eis de ficar.
Obrigada por ter sido uma leitora tão
fofa. Por ter enchido os corações de meus amigos e ex-colegas com tanto amor.
Obrigada por ter entrado na minha vida. Até qualquer dia, amiga.
Com muito amor,
Dienifer Reis
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Carol era uma leitora
bastante querida por mim, assim como todas vocês são.


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