Meu nome é Ana Magalhaes, tenho 49 anos, sou evangélica, casada com Derivaldo , mãe do Lucas de 10 anos e da Carol, que hoje estaria com 17.
Minha vida mudou totalmente No dia 28 de dezembro de 2013. A Carol sentiu uma forte dor abdominal, levei ao hospital, foi medicada, dia 29 notando que ela não estava bem tornei a levar, foi diagnosticada com princípio de pneumonia, no mesmo dia, a noite já estava bem grave, dia 30 pela manhã foi para UTI , entubada e sedada. Dia 03 de janeiro de 2014, na UTI daquele hospital, lutando bravamente para viver, a Carol completou 14 anos. Em 18 de janeiro de 2014 ela partiu. Mas não partiu sozinha, levou consigo minha alegria e vontade de viver. Eu mesma providenciei todos os detalhes para o sepultamento. Não sei de onde tirei forças, mas eu precisava fazer, eu queria fazer aquele último ato por minha filha. O velório da Carol foi algo sobrenatural, sentia-se de forma quase palpável a presença de Deus. Todos que entravam ali, sentiam uma imensa paz, não havia choro, desespero, só aquela paz que excede a todo entendimento. Porém, Eu não queria vê-la naquele caixão, mas alguém achou que eu deveria, me levou até ela, agradeço muito por isso. Enfim voltamos para uma casa vazia, sem riso, sem cor. Muitos amigos se afastaram, acho que passamos a exalar um cheiro diferente, de tristeza, de dor, as pessoas não querem conviver com aquela situação. Ver a nossa dor abala aquele mundo perfeito em que vivem. Eu não as culpo. Eu também precisava estar sozinha. Como um animal ferido, Precisava me isolar, lamber as feridas, chorar minha enorme perda. Tomei algumas decisões naquela primeira semana, uma delas foi mudar de casa, de bairro. Não sei se foi certo, mas precisava sair dali, morar próximo de meus pais, minhas irmãs. Passei a negligenciar meu marido e meu filho, por mais que os amasse, eu só queria ter a Carol de volta, me isolar e viver das lembranças da Carol. Por maior que fosse o conforto de Deus, eu só queria ir para junto dela. Não havia sentido em continuar vivendo. Levar o lucas no colégio foi muito doloroso, eu não queria ver aquelas adolescentes, porque elas estavam aqui e a Carol não? Porque as pessoas seguiam com suas vidas como se nada tivesse mudado? Como se atreviam a me falar que eu deveria esquecer, que a vida continua. Eu odiava essa frase, A VIDA CONTINUA. Pra mim não continuou, eu tive que reaprender a viver.
E agora que faço eu da vida sem a Carol? Sem sua alegria seus planos. Como viver sem meu mundo cor de rosa? Por muito tempo eu fui uma pessoa especial, eu era a mãe da Carol, uma menina linda, alegre, brincalhona, zangada também. A Carol sempre foi minha melhor amiga, minha confidente, tínhamos uma relação de muita confiança, era meu grude. Fazíamos tudo juntas, caminhada, shopping, cinema. Era a prima preferida de todos, a sobrinha preferida, a mais linda da família. Eu me perguntava muito porque ela, Senhor, Porque minha linda filhinha, porque não a curou, porque eu precisei passar por tamanha dor? Não obtive respostas, mas o Consolo, a paz nas horas do desespero e dor mostravam que Deus cuida dos que ficam. A bíblia diz em Romanos, 8:28 “ todas as coisas contribuem juntamente para o bem daqueles que amam a Deus “ nessas horas eu brigava com Deus, como assim ? como a morte da minha filha me trará algum bem ? mas Deus sabe todas as coisas e continuo dependente dele para continuar, para manter minha sanidade mental. Não sei em que fase do luto estou, acho que volto muito para a negação. Não suporto pensar muito sobre tudo que houve, não consigo doar as coisas dela.
Me afastei das pessoas, leio muito para não pensar na solidão. Carrego sempre uma imensa tristeza no meu coração, não consigo chorar, não falo muito sobre a Carol, pois ainda vejo nos olhos das pessoas que não querem ouvir, não querem entrar nesse meu mundo de perda e dor. O dia 18 mexe muito comigo, os feriados, aniversários trazem muita tristeza. Enfim jamais serei uma pessoa completa. Hoje, três anos depois, ainda estou tentando seguir, pelo meu marido, Com a força do Meu Deus, pelo Lucas, que é meu porto seguro, nas horas de desespero, sempre corro para o colo dele para me fortalecer.
" De todos os loucos do mundo eu quis você, porque a sua loucura parece um pouco com a minha " (CM FV. By Carol Magalhães)"
domingo, 26 de março de 2017
SOLIDÃO NO LUTO - por Ana Magalhães
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